O esporte mais difícil – o melhor fabbro
Quando
T. S. Eliot afirmou que Pound era o il miglior fabbro, o mestre do
mantra do Prufrock pensava nos possíveis caminhos do que viriam a se tornar o
imagismo e todo o modernismo do início do século XX. A profusão das vanguardas e
suas paradoxais relações de autores com o fascismo (o próprio Pound, Marinetti,
Céline, Hamsun) ajudaram a tecer a colcha de retalhos do século XX com o fio de
Ariadne.
Chegando
em Curitiba, em 2025, um dos grandes livros de poesia que me cai em mãos é O
esporte mais difícil, do poeta curitibano Raul K. Souza (Telaranha, 80
páginas). Raul K. Souza tem licenciatura em Filosofia pela PUCPR. Tem mais
de dez anos de experiência no mercado do livro: foi livreiro, editor,
leitor de originais e, atualmente, é gerente da Livraria Telaranha. É um dos
mediadores de leitura do Clube Nara. Publicou Ligações que rasgam (Kotter,
2021), participou das antologias Antologia poética LiteraturaBr (2021), 1001
Poetas (Casa Brasileira de Livros, 2022) e Chão Brasil (Membrana
Literária, 2024).
O
esporte mais difícil é um livro dividido em duas partes: Uma vez no banheiro e Posição de amor. As temáticas que
Raul explora no livro todo transitam entre questões do corpo, do desejo, da
perda, do luto e do encontro. Os poemas de O esporte mais difícil passam
muito longe da horrorosa e pavorosa palavra tão cara à poesia contemporânea, a
tal da “resiliência”, quer dizer, não é um livro com respostas, muito menos com
afagos, mas sim um trabalho profundo, cuidadoso, lírico e denso com o fazer
poético.
O leitor de Raul nesse seu novo livro deve permanecer atento, pois os labirintos que separam prosa e poesia, ou prosa narrativa de poemas em prosa são muito tênues; e na verdade nada significam. Poesia é ritmo, é imagem, é linguagem, é símbolo. Precisamos lembrar da trindade poundiana mais uma vez? Logopeia. Melopeia. Fanopeia.
O
esporte mais difícil é o livro de um autor mais maduro, mais
consciente de sua poética e de como sua arte torna-se linguagem, e de como a
linguagem torna-se comunicação. Por entre espaços deixados à deriva para o
leitor atento, em muitos poemas nos deparamos com pequenas provocações, como enjambements
que precisam de atenção redobrada, metáforas densas e referências não muito
sutis. Mesmo discordando, a princípio, do título do livro, apreendi suas
armadilhas e peripécias, e não poderia ser mais acertado, pois o próprio ato de
viver é bastante complicado, como a ausência, como a palavra, como a linguagem.



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